quinta-feira, 1 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
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E uma das imagens mais perversas que já tive o prazer de vislumbrar é esta: o filho inocente se inocula ( uma vez que era inocente desde o Princípio, concebido aliás, segundo a fantasia místico-lisérgica de João, muito antes da própria Criação do Mundo) o vírus do pecado para redimir os pecadores ( bem, palavras minhas)... o consentimento do Cordeiro inocente em primeiro tornar-se maldição para nós... Sublime. Nem Sade, Bataille, Lautréaumont ou Oliviero Toscano foram tão imunda e gloriosamente longe.
ps: Da necessidade do “pecado ser pago na carne” é o que de mais lógico se depreende desta equação tanatológica: se o preço a pagar pelo pecado original é a finitude ( a extinção do corpo, da vida), é claro que o creditor exige a paga na mesma moeda do devedor, não? Na carne.
ps 2: Não há redenção possível sem passar pela morte,. É claro que o princípio de tudo é a Ressurreição, a Parousia etc, senão cairíamos numa imanência chula. Mas a passagem pela morte é a ponte da salvação; aliás, é o único caminho. A pia batismal paulina, encontrada em escavações, é um poço ( indivíduo), e não uma piscina, como para os essênios ( comunidade); mas este poço é a imagem simbólica do túmulo de Cristo.
Do Cristo morto

" De fato, é difícil não ver em certas passagens de Paulo alusões à narrativa reinterpretada de Abraão-Isaac na Gênesis. A afirmativa de Paulo na epístola aos romanos "Se Deus está conosco, quem estará contra nós? Quem não poupou o próprio Filho e o entregou por todos nós, como não nos haverá de agraciar em tudo junto com ele? ( 8:31-2)., se apóia em Gênesis 22-16: "Juro por mim mesmo, diz o Senhor; porque me fizestes isto, porque não me recusastes teu filho, teu único, eu te cumularei de bênçãos". O verbo grego usado por Paulo em conexão com Deus e Cristo (aqui respectivamente traduzido por "poupar" e "recusar") é textuamente o mesmo usado na versão septuaginta de Gênesis 22-16 a propósito de Abraão e Isaac; isto foi explicitamente reconhecido no século III por Orígenes, o maior especialista bíblico da Antiguidade. De novo, "Cristo nos resgatou... a fim de que a bênção de Abraão se estenda aos gentios" ( Gl 3:13-14) é coerente com Gênesis 22:18: "Por tua posteridade ( Isaac) serão abençoadas todas as nações da terra". A óbvia influência da história reformulada de Isaac na mente imaginativa de Paulo parece justificar a conjectura de que Gênesis 22 foi o texto aludido por ele sem citar capítulo e versículo: "Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras" ( 1 Cor, 15:3). Isto também dá conta da predileção dos antigos padres da Igreja, entre eles Tertuliano, Cirilo de Alexandria e Agostinho em verem em Isaac uma prefiguração ou tipologia de Jesus.
Tendo descoberto o molde usado por Paulo para forjar sua teologia da morte expiatória de Jesus, torna-se mais fácil seguir o seu pensamento. Na visão de Paulo, "o salário do pecado é a morte"
(Rm 6:23)., e como morte foi e sempre será o fado do homem- "O último inimigo a ser destruído é a morte" ( 1 Cor 15:26)- decorre que todo ser humano deve necessariamente ter pecado. Porém, esta síndrome pecado-morte tomou uma forma e uma significação inteiramente novas, por causa da morte de Cristo na Cruz. Para Paulo, o Filho obediente e sem pecado de Deus fez-se à imagem da "carne pecaminosa" e ele, "que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado" ( 2Cor 5:21). O propósito de Deus neste drama cruel era condenar o "pecado na carne" ( Rm 8:3)., submetendo Jesus à morte na Cruz. O Cristo crucificado primeiro consente em " maldição para nós" e depois nos resgata da "maldição da Lei" ( Gl, 1:4). Então, todo cristão que se une pela fé à morte de Cristo participa ( grifo meu) misticamente de sua morte e ressurreição. Nas próprias palavras de Paulo, " a caridade de Cristo nos compele, quando consideramos que um só morreu por todos e que, por conseguinte, todos morreram. Ora, ele morreu por todos a fim de que aqueles que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles" (2 Cor 5:14-15).
(...) O foco paulino é absoluto: a principal preocupação de Paulo não é o Senhor ressuscitado e glorificado, mas o Jesus que expirou na cruz. "Pois não quis saber de outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado" ( 1 Cor 2:2).
Geza Vermas, As várias faces de Cristo
O Cristo de Paulo: Cristo, o novo Isaac

"A convicção de Paulo de que estava liberto do pecado e imerso no amor de Deus se fundava na sua crença de que 'Cristo morreu, ou melhor... ressuscitou... está à direita de Deus... e intercede por nós" ( Rm, 8:34). Em última análise, equivale a um drama mítico de salvação.(...) Os mitos paulinos não dependem do que Jesus ensinou ou fez, mas das consequências, tidas como providenciais, do que lhe aconteceu. Neste particular, sua percepção é única e claramente distinta da dos Evangelhos sinópticos e de João. Nos Evangelhos, Jesus é um mestre que dá sua mensagem aos seus seguidores,; nas epístolas, é o objeto da mensagem concebida e disseminada por Paulo, com exceção de uns poucois exemplos nos quais ele afirma transmitir as "palavras do Senhor". Não obstante, embora tivesse a consciência de ser o pai dos seus filhos espirituais gentios, Paulo tinha plena consciência de que não era seu salvador. "Paulo teria sido crucificado em vosso favor? Ou fostes batizado em nome de Paulo?", pergunta ele aos coríntios ( 1 Cor, 1:13).
Para compreender a mente de Paulo, é preciso estar familiarizado com algumas das pressuposições da cultura religiosa judaica. Tanto na Bíblia como no judaísmo pós-bíblico inicial, o pecado era visto como uma rebelião contra Deus, punido com a doença e com a morte. A virtude era resultado da obediência a Deus, recompensada pela saúde e vida longa e feliz e, na época de Jesus e Paulo, pela perspectiva de vida eterna ou existência renovada num corpo ressurrecto. Esta última crença era advogada pelos fariseus ( a cujo grupo Paulo afirmava pertencer), mas não por outros grupos, como os saduceus, que rejeitavam a idéia de vida após a morte, e os essênios, que, segundo Josefus, só acreditavam na ressurreição da alma. A evidência doa Manuscritos do Mar Morto é equívoca a este respeito, e em todo caso são poucas e dispersas as alusões à ressurreição corpórea. Porém, ao mesmo tempo que, no meio gentio de seu ministério, Paulo não teve grandes dificuldades em abandonar outros preceitos básicos fariseus, como a centralidade da observância estrita da Torá ( circuncisão, leis rituais, etc), a doutrina da ressurreição corpórea tornou-se uma parte indispensável de seu majestoso drama de mistério.
Um segundo fator principal subjacente na compreensão paulina da cruz como sacrifício redentor é a narrativa da imolação pretendida mas não realizada de Isaac por seu pai Abraão. A cruel história é preservada no Capítulo 22 da Gênesis, mas o que é mais importante é a sua reinterpretação no período intertestamental, e posteriormente na era rabínica, então conhecida como a Akedah de Isaac. A diferença fundamental entre o registro bíblico e o relato reformulado pelos mestres judeus a partir do século II a.C- no Livro dos Jubileus, nos Manuscritos do Mar Morto, em Josefus, na literatura Pseudo-Filo e rabínica- diz respeito ao papel de Isaac no drama. Em vez de ser um garoto, inconsciente do que acontecia, Isaac é retratado como adulto- com vinte e cinco anos em Josefus, trinta e sete, para os rabinos- que foi informado pelo pai da ordem de deus, Isaac consentiu com alegria e correu jubiloso para o altar; pediu a Abraão para amarrar suas mãos e estendeu o pescoço para a faca de Abraã. Assim, o sacrifício que Abraão deveria oferecer tornou-se também a fortiori a auto-imolação ( inacabada) de Isaac.
A tradição judaica dá outros detalhes desconhecidos da Bíblia, mas de enorme significado. O primeiro diz respeito ao efeito do auto-oferecimento de Isaac. Toda libertação futura do povo judeu e sua salvação messiânica final seriam vistas como decorrentes do mérito do evento sacrificial da Akedah.A cada vez que evocava a Akedah de Isaac, Deus estaria mostrando misericórdia para com seus filhos. A idéia expressa numa oração posterior era certamente familiar entre os judeus do primeiro século: "Se os judeus forem culpados e estiverem a ponto de ser mortos, lembrem-se de Isaac seu pai, que estendeu o pescoço no altar para ser morto em seu nome ( grifos meus). Que a imolação de Isaac tome o lugar da imolação de seus filhos" ( Êxodo Rabbah, 44:5).
Em outras palavras: a disposição ao sacrifício de Isaac foi transformada , no pensamento religioso judeu, num ato de redenção de validade permanente para todos os seus filhos, até a chegada do Messias.O segundo elemento novo, inserido na história já no século II a.C ( Jubileus 17:15, 18:3),é a data, determinada ao mês e ao dia, da Amarração de Isaac. Ela ocorreu no décimo quinto dia do primeiro mês ( Nisan), data em que a Lei de Moisés ordenaria subseqüentemente a celebração da Páscoa.
Como a versão reformulada do sacrifício de Isaac era uma idéia familiar entre judeus do primeiro século, Paulo pôde formular o seu preceito sobre a morte de Jesus na cruz,livremente sofrida, como a realização ( grifo meu) perfeita da auto-oferta redentora de Isaac. Porém, aos olhos de Paulo, a marca distintiva fundamental do sacrifício de Jesus era o seu universalismo. Ele afetava toda a espécie humana, e não apenas ( ou principalmente) os judeus, conforme se presumia no caso de Isaac."
... a continuar...
terça-feira, 30 de março de 2010
L'impôt à César : une réponse déroutante

... continuando...
" La conception que Jésus a du pouvoir ( Lc 22, 24-27) et les choix qu'il a opérés quant à la réalisation de sa mission expliquent son attitude. Le prophète de Nazareth n'a pas de raison d'entrer en concurrence avec le pouvoir du gouverneur, comme le ferait le messie surgi des as pirations de ses contemporains. À l'occasion d'une polémique qui lui est imposée par des adversaires, Jésus dévoile sa pensée sur le pouvoir romain et le jugement qu'il convient de porter à l'égard de tout pouvoir ( Mc 12, 13-17). Les initiateurs de la polémique diffèrent selon les Évangiles, tous cependant confessent la loyauté de Jésus qui enseigne "la voie de Dieu avec verité".
La question posée a Jésus est clasique dans les milieux juifs depuis le recensement opéré par Qurinius: "Est-il permis ou non de donner l'impôt à César?" Comme il procède dans d'autres circonstances, Jésus interroge ceux qui le questionnent et les oblige à prendre position. Il ne répond pas directement à la question, mais il donne le principe qui commande la réponse et toute réflexion sur le pouvoir: "Ce qui est à César, rendez-le à César et ce qui est à Dieu, à Dieu". Jésus ne détermine pas deux domaine parallèles qui auraient chacun leurs principes, leur mode de fonctionnement sans interaction l'un à l'égard de l'autre. En effet, la question réclame une réponse qui concerne les biens de César ( Tibère, qui régna de 14 à 37 apr. J.-C). Or Jésus réplique par une phrase composée de deux parties 1; entre les deux membres de la phrase se trouve un lien intrinsèque provoqué par la mention de l'image ( traduit la plupart du temps par "effigie" dans les bibles françaises). Le "bien" de Dieu relativise le pouvoir et les droits de César. César ne dispose pas d'une indépendance radicale. La pièce revient à César, car elle porte son image, or l'homme porte l'image de Dieu ( Gn 1, 26-27), et don ce "bien" de Dieu c'est lui-même. En reconnaissant les droits de César, Jésus en rapelle les limites signifiées par l'homme, image de Dieu.
Jésus refuse de s'enfermer dans un cadre nationaliste. En agissant ainsi il prend ses distances par rapport aux espérances juives marquées par un lien à la terre d'Israël et l'attente d'un royaume messianique. Il limite les droits de César en les définissant par rapport à tout homme. La sentence de Marc 12 sur l'impôt à César est à attribuer à Jésua; elle est originale; elle appartient à ces propos de Jésus déroutants pour ses auditeurs et ouvrant à une interrogation sur sa personne. D'ailleurs la version johannique de la passion de Jésus n'ignore pas cette orientation. À Pilate qui affirme son autorité, Jésus rapelle la relativité de ce pouvoir ( Jn 19, 11): "S'il ne t'avait été donné d'en haut" comporte un jeu de mots. Le pouvoir de Pilate n'est q'un pouvoir délégué par l'empereur, mais plus fondamentalement ce pouvoir est limité en raison de son origine ultime"
Jean-Pierre Lemonon
Nota:
1. Les deux partis sont liées par kai et non par alla qui pourrait laisser supposer une indépendence des deux domaines l'un à l'égard de l'autre.
Hoje é o Yom Kippur!

"Des remous parmi le peuple"
Hormis quelques familles qui tirent avantage de la situation, les Juifs ressentent la présence de Rome en terre d'Israël comme l'expression d'un désordre, ils aspirent à la délivrance du joug romain. Conscients de leur histoire, ils sont vigilants face à tout geste qui apparaît comme innovattion du gouverneur et, par là même, extension de la mainmise romaine. Entre 27 et 36 plusieurs incidents ont lieu quand Pilate innove ou entreprend des constructions nouvelles. Cependant l'analyse des causes de la situation diffère et les solutions proposées sont variées. Le recensement opéré par Quirinius a suscité des remous parmi le peuple, et certains se situent dans la ligne de Judas le Galiléen: payer l'impôt est signe d'un assujettissement insupportable pour un peuple libéré jadis par son Dieu. Vers 27, sans constituer un parti visant l'expulsion des Romains, ils fomentent des révoltes.
Les pharisiens représentent une autre sensibilité: l'occupation romaine est un châtiment provoqué par le péché d'Israël, ils se réfugient dans la piété individuelle, invitent à la pénitence et attendent l'intervention de Dieu: son messie rétablira Israël dans sa dignité et le purifiera de l'immigré et de l'étranger, sources de souillure.
Les disciples de Jésus n'échappent pas à ce climat et, sous des formes diverses, les évangiles trahissent cette espérance de libération, liée à un mouvement de purification. Aussi Jésua invite-t-il ses disciples à la patience ( Mt 13, 24-30; Lc 17, 23; 19, 11). Par toute son éducation il partage l'espérance de son peuple, cependant il ne se pose en aucune façon en rival du pouvoir romain. Prenant ses distances vis-à-vis des représentations messianiques courantes, il complique à plaisir l'exégèse des scribes qui présentent le messie d'Israël comme fils de David ( Mc 12, 35-37) car il sait l'ambig¨guité d'une telle filiation. De même, la retenue de Jésus face aux intuitions messianiques de ses auditeurs exprime ses réserves quant à une interprétation de sa mission en termes nationalistes. Quelques Juifs ont pu ressentir son accueil des collecteurs d'impôts comme une acceptation de fait du pouvoir romain. En effet, Jésus ne conteste pas radicalement ce pouvoir, mais, à l'inverse, le prophète de Nazareth ne manifeste aucune sympathie à l'égard des milieux sacerdotaux proches de l'autorité romaine".
... a continuar...